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A força da unidade e o novo ciclo de lutas da classe trabalhadora


A realização da CONCLAT 2026, em Brasília, marca um momento decisivo para a reorganização da classe trabalhadora brasileira e para a retomada de um projeto coletivo de desenvolvimento com justiça social.

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A força da unidade e o novo ciclo de lutas da classe trabalhadora
Por Emerson Gomes – Presidente da Força Sindical Bahia e Vice Presidente do SINTEPAV-Bahia

A realização da CONCLAT 2026, em Brasília, marca um momento decisivo para a reorganização da classe trabalhadora brasileira e para a retomada de um projeto coletivo de desenvolvimento com justiça social. Mais do que um encontro sindical, a conferência representa a reconstrução de uma agenda política centrada no trabalho digno, na valorização dos direitos e na participação ativa dos trabalhadores e das trabalhadoras na definição dos rumos do país.

A história da CONCLAT se confunde com a própria trajetória do sindicalismo combativo no Brasil. Foi a partir desse espaço de unidade que surgiram importantes instrumentos de organização da classe trabalhadora, consolidando uma cultura política baseada na mobilização, na autonomia e na defesa intransigente dos direitos sociais. Em 2026, essa tradição se renova diante de um cenário marcado pela precarização das relações de trabalho, pelo avanço da informalidade e pela necessidade urgente de reposicionar o trabalho como eixo estruturante do desenvolvimento nacional.

A construção da CONCLAT 2026 não se deu de forma isolada ou pontual. Ao contrário, foi resultado de um amplo processo de articulação nacional, envolvendo plenárias estaduais, debates com categorias profissionais e diálogo entre diferentes centrais sindicais. Esse acúmulo coletivo resultou em uma pauta representativa, que expressa as demandas reais da classe trabalhadora e aponta caminhos concretos para enfrentar os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.

A mobilização em Brasília, que reuniu milhares de trabalhadores e trabalhadoras  após a plenária da conferência, simboliza o caráter político desse momento. A presença organizada nas ruas reafirma que a luta por direitos não se restringe ao campo institucional, mas exige pressão social permanente. A entrega da pauta unificada ao governo federal e ao Congresso Nacional inaugura uma nova etapa, na qual será fundamental combinar negociação política com mobilização popular.

Entre os principais pontos defendidos estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a regulamentação do trabalho por aplicativos, o combate à precarização e à pejotização, a valorização do salário mínimo, combate ao feminicídio e o fortalecimento da negociação coletiva. Também se destacam propostas voltadas à redução das desigualdades sociais, à promoção da igualdade de oportunidades e à ampliação dos investimentos em políticas públicas essenciais, como saúde e educação.

Essas reivindicações não devem ser compreendidas como pautas isoladas, mas como parte de um projeto de país que busca conciliar crescimento econômico com distribuição de renda e inclusão social. Defender a classe trabalhadora, nesse contexto, é assumir um posicionamento político claro em favor da democracia, da justiça social e da soberania nacional.

A unidade construída entre as centrais sindicais durante a CONCLAT 2026 revela maturidade política e compromisso com um objetivo comum. Em um ambiente frequentemente marcado por divergências, a capacidade de convergência em torno de uma agenda estratégica demonstra que a defesa dos direitos dos trabalhadores está acima de interesses fragmentados.

Os próximos meses serão determinantes para transformar essa agenda em conquistas concretas. A pressão sobre o Congresso Nacional, o fortalecimento da organização de base e a ampliação da mobilização social serão elementos centrais nesse processo. A experiência histórica do movimento sindical brasileiro demonstra que nenhum direito é concedido espontaneamente; todos são resultado de luta, organização e persistência.

Quero aqui fazer um reconhecimento especial. Nada do que construímos é individual. Cada avanço, cada conquista, cada direito preservado carrega a marca da união entre pessoas e instituições comprometidas com um projeto coletivo de justiça social.

A Força Sindical Bahia se orgulha profundamente dessa caminhada conjunta. Em tempos desafiadores, estar ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras é mais do que uma escolha, é um lado da história.

Seguimos juntos, com coragem, solidariedade e consciência de que é na unidade que reside a nossa verdadeira força.

A luta continua. E ela é coletiva.

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