
Por
Emerson Gomes
Presidente da Força Sindical Bahia
Falar sobre juventude em um ano eleitoral costuma levar a uma discussão sobre votos, redes sociais e preferências políticas. Mas o Dia Nacional da Juventude nos convida a olhar para além das urnas e reconhecer a importância de uma geração que já participa da construção do Brasil e terá papel decisivo nos seus próximos caminhos. Antes de perguntar em quem os jovens vão votar, precisamos perguntar por que tantos estão se afastando da política e das instituições e, principalmente, que futuro estamos oferecendo a essa geração.
Discutir juventude é discutir trabalho, educação, oportunidades, participação e democracia, porque não existe futuro para uma nação sem garantir que seus jovens tenham condições de construir o próprio presente.
Sou trabalhador da construção pesada e foi no chão da obra que aprendi que decisões tomadas longe dos locais de trabalho têm consequências concretas na vida de quem vive do próprio salário. Foi também nesse caminho que encontrei o movimento sindical e compreendi a importância da organização coletiva.
Por isso, quando falo de juventude trabalhadora, não estou falando de uma pauta distante. Estou falando de uma geração que já trabalha, produz, estuda, procura emprego e ajuda a sustentar suas famílias.
Durante muito tempo, dissemos que a juventude é o futuro. Mas o jovem que procura o primeiro emprego não pode esperar. Quem abandona os estudos para trabalhar não pode esperar. Quem vive uma relação de trabalho precária também não pode esperar. A juventude precisa de respostas no presente.
Precisamos defender primeiro emprego, aprendizagem, formação profissional e trabalho decente. Mas precisamos também discutir a qualidade dessa inserção. O primeiro emprego não pode ser porta de entrada para a precarização. A qualificação não pode terminar na entrega de um certificado. O jovem precisa ter oportunidade de aprender, crescer, conquistar direitos e construir uma trajetória profissional.
O mundo do trabalho mudou. A juventude está entrando em um mercado marcado por tecnologia, automação, plataformas digitais, terceirização e novas formas de contratação. Muitos jovens trabalham como autônomos, entregadores, motoristas e prestadores de serviços. Isso não significa que deixaram de ser trabalhadores. O sindicalismo precisa compreender essa transformação.
Também precisamos entender o afastamento de muitos jovens da política. Não basta dizer que eles não se interessam. Precisamos perguntar se as instituições estão conseguindo dialogar com seus problemas.
Quando falta emprego, quando o salário não acompanha o custo de vida, quando o jovem não consegue estudar, quando enfrenta dificuldades para morar ou construir sua vida, estamos diante de problemas políticos.
É nesse espaço de frustração que diferentes projetos disputam a juventude. Parte dela tem se aproximado da direita e da extrema direita. Esse fenômeno precisa ser compreendido, não tratado com preconceito. Precisamos ouvir, dialogar e disputar ideias apresentando respostas concretas para os problemas da classe trabalhadora.
E aqui está uma responsabilidade fundamental do movimento sindical: abrir espaço para a juventude dentro das próprias organizações.
Não acredito em renovação apenas pela troca de nomes. Renovação significa formação, participação e divisão de responsabilidades.
Quero ver jovens trabalhadores participando das assembleias, congressos, negociações, conselhos e direções sindicais. Quero ver jovens mulheres, jovens negros, jovens das periferias e do interior ocupando espaços de poder e decisão.
A juventude não pode ser lembrada apenas em período eleitoral ou chamada apenas para participar de eventos. Ela precisa estar na construção das políticas e das decisões.
Minha própria trajetória foi construída assim. Outros trabalhadores abriram caminhos para a minha geração. Agora temos a responsabilidade de abrir caminhos para quem está chegando.
Como presidente da Força Sindical Bahia, defendo que a juventude trabalhadora esteja no centro da nossa estratégia sindical. Precisamos aproximar os jovens do sindicalismo, mas também precisamos aprender com eles.
O futuro do trabalho já está sendo disputado. As novas tecnologias vão transformar profissões. A economia está mudando. As relações de trabalho também. Os trabalhadores precisam participar dessas decisões e ter formação para enfrentar essas transformações.
Por isso, defender a juventude é defender emprego, educação, renda, formação profissional, democracia e participação.
Mas é também defender o direito de estar onde o poder é exercido.
A juventude trabalhadora não precisa apenas de alguém que fale por ela. Precisa ter voz, espaço e responsabilidade.
Precisamos garantir que ela esteja onde as decisões são tomadas.
Esse é um compromisso com a classe trabalhadora e com o Brasil que queremos construir.

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