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Dia da Visibilidade Trans – Entrevista com dirigente sindical trans

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Entrevistado: Júlio Santana – Dirigente sindical do SINTEPAV-BA e Força Sindical Bahia, trans, trabalhador e militante pelos direitos humanos.

O que significa o Dia da Visibilidade Trans para a classe trabalhadora?

O Dia da Visibilidade Trans é um dia de luta, memória e afirmação política. Para a classe trabalhadora, ele escancara uma realidade dura: pessoas trans seguem sendo empurradas para fora do mercado formal de trabalho, vivendo a precarização, o desemprego e a informalidade. Falar de visibilidade é falar de direito ao trabalho digno, à renda, à proteção social e à vida. Sem trabalho, não há cidadania plena, e o sindicalismo precisa assumir esse debate como parte central da luta de classes.

Quais são hoje os principais desafios enfrentados por trabalhadores e trabalhadoras trans no mundo do trabalho?

O primeiro desafio é o acesso. Muitas pessoas trans sequer conseguem uma entrevista de emprego por causa do preconceito com seus corpos, nomes e identidades. Quando conseguem entrar, enfrentam assédio moral, transfobia cotidiana, desrespeito ao nome social, negação do uso do banheiro e, muitas vezes, salários menores e instabilidade. Além disso, há o medo constante da demissão por discriminação. Tudo isso gera adoecimento físico e mental. O mundo do trabalho ainda é um dos principais espaços de reprodução da transfobia estrutural.

Por que é fundamental que o movimento sindical incorpore a pauta trans como uma pauta sindical?

Porque trabalhadores e trabalhadoras trans são parte da classe trabalhadora. Não existe luta sindical real se ela exclui quem mais sofre com a exploração e a violência. Incorporar a pauta trans é defender igualdade de direitos, combater todas as formas de discriminação e fortalecer a unidade da classe. O sindicato precisa ser espaço de acolhimento, defesa jurídica, formação política e enfrentamento direto à transfobia nos locais de trabalho e nas negociações coletivas, como exemplo a Força Sindical e o SINTEPAV-Bahia que me acolheram desde o ínicio e estão comigo hoje e sempre.

Como os sindicatos podem atuar concretamente na defesa dos direitos da população trans?

Os sindicatos podem, e devem, incluir cláusulas antidiscriminatórias nas convenções coletivas, garantir o respeito ao nome social, promover campanhas de conscientização nos locais de trabalho, oferecer formação política sobre diversidade e direitos humanos, além de acolher denúncias de transfobia. Também é fundamental incentivar a participação de pessoas trans nas direções sindicais, garantindo representatividade real e não apenas simbólica.

Qual a importância da organização coletiva para enfrentar a transfobia no trabalho?

Nenhuma pessoa trans enfrenta o sistema sozinha. A organização coletiva é o que transforma dor em luta e exclusão em resistência. Quando o sindicato se posiciona, quando a categoria se mobiliza, o patrão recua. A transfobia não é um problema individual, é uma expressão da desigualdade estrutural. Só com organização, solidariedade de classe e ação política conseguimos transformar o ambiente de trabalho em um espaço de respeito e dignidade.

Qual mensagem você deixa neste Dia da Visibilidade Trans para o movimento sindical e para a sociedade?

A minha mensagem é clara: visibilidade sem direitos não basta. Pessoas trans querem respeito, viver, trabalhar e envelhecer com dignidade. O movimento sindical tem um papel histórico e estratégico nessa luta. Defender trabalhadores e trabalhadoras trans é defender a democracia, os direitos humanos e a própria ideia de justiça social. Sem nós, não há classe trabalhadora completa. Sem direitos para pessoas trans, não há trabalho decente nem sociedade justa.

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