O Carnaval de Salvador, maior festa popular de rua do mundo, só acontece porque há trabalhadores e trabalhadoras que sustentam sua estrutura. Entre

O Carnaval de Salvador, maior festa popular de rua do mundo, só acontece porque há trabalhadores e trabalhadoras que sustentam sua estrutura. Entre eles estão os cordeiros, responsáveis por organizar os blocos e garantir a segurança nos circuitos. Durante muitos anos, essa categoria enfrentou condições precárias, com diárias que variavam entre R$ 53 e R$ 80, sem garantias claras de direitos, proteção adequada ou segurança contratual. A informalidade e a vulnerabilidade marcaram a história desses trabalhadores.
A realidade começou a mudar com a organização coletiva por meio do Sindcorda e com a atuação do movimento sindical. A mobilização garantiu avanços concretos, como a fixação da diária de R$ 100 no Carnaval de 2025, representando aumento de cerca de 25% em relação ao valor anterior, e o novo reajuste para R$ 110 em 2026. Essas conquistas demonstram que a negociação coletiva é instrumento fundamental para equilibrar relações historicamente desiguais.
Outro passo decisivo foi a intervenção do Ministério Público do Trabalho, que firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assegurando direitos como fornecimento de EPIs, seguro de vida, alimentação e organização mínima das contratações. O TAC elevou o patamar de proteção da categoria, mas sua efetividade depende de fiscalização permanente e do cumprimento integral dos compromissos assumidos pelos blocos e contratantes.

“Não basta conquistar um acordo se não houver fiscalização e compromisso real para implementar, monitorar e corrigir falhas. Estamos de olho no cumprimento do TAC e na ampliação das condições de trabalho dos cordeiros. É uma luta que envolve valorização do trabalho e respeito à dignidade humana no maior carnaval de rua do planeta”, afirmou Emerson Gomes, presidente da Força Sindical Bahia, que também é membro do comitê gestor da Agenda Bahia do Trabalho Decente é presidente do CETER (Conselho Tripartite e Paritário do Trabalho e Renda) um órgão colegiado superior e deliberativo integrante da estrutura da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) da Bahia. Criado pela Lei nº 9.424/2005, atua no âmbito estadual para planejar e fiscalizar políticas de emprego e renda, em nota oficial.
A Força Sindical Bahia reafirma solidariedade à luta dos cordeiros e mantém vigilância ativa sobre o cumprimento dos acordos firmados. A categoria avança agora na reivindicação de inclusão no projeto de Tarifa Zero no transporte público durante o Carnaval, medida que ampliaria o impacto real da remuneração conquistada. Defender os cordeiros é defender dignidade no trabalho e respeito a quem constrói, com esforço físico e organização, a maior festa popular do planeta.

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