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Sindicalismo sob ataque: resistir, reinventar e disputar o poder em 2026

A Reforma Trabalhista de 2017 desmontou direitos, enfraqueceu sindicatos e precarizou o trabalho. A reconstrução passa pela reorganização do movimen

O desafio de fortalecer a negociação coletiva
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A Reforma Trabalhista de 2017 desmontou direitos, enfraqueceu sindicatos e precarizou o trabalho. A reconstrução passa pela reorganização do movimento sindical e pela disputa política nas eleições de 2026.

Marcos Verlaine*

Estamos falando da contrarreforma que rompeu o pacto social. A Reforma Trabalhista de 2017 — Lei 13.467/17 — não foi simples ajuste legal. Representou ruptura profunda do pacto social construído ao longo de décadas no Brasil. E consagrado pela Constituição de 1988.

Ao flexibilizar direitos, impor o “negociado sobre o legislado” e extinguir abruptamente a contribuição sindical obrigatória, a contrarreforma desorganizou o sistema de proteção ao trabalho, enfraqueceu os sindicatos e ampliou a assimetria de poder entre capital e trabalho.

Os efeitos são visíveis: aumento da precarização, fragmentação da classe trabalhadora e um movimento sindical forçado a resistir em ambiente institucional adverso.

Sustentabilidade financeira e representação

O fim da principal fonte de custeio sindical não foi acompanhado de qualquer política de transição. Criou-se cenário em que se exige dos sindicatos eficiência, mobilização e resultados sem garantir, contudo, as condições mínimas de funcionamento da estrutura sindical.

Ao mesmo tempo, o mundo do trabalho se transformou. Cresceram a informalidade, terceirização, “pejotização” e o trabalho por plataformas digitais.

O desafio do sindicalismo hoje não é apenas sobreviver financeiramente, mas representar trabalhadores cada vez mais fragmentados e invisibilizados pelas relações tradicionais de emprego.

Desmobilização e crise de confiança

A ofensiva contra os direitos trabalhistas veio acompanhada de discurso que criminalizou os sindicatos e exaltou a falsa ideia de autonomia individual.

O resultado foi a desmobilização da base e o enfraquecimento da ação coletiva.

Reconstruir a confiança dos trabalhadores exige presença cotidiana, diálogo direto, inovação organizativa e capacidade real de enfrentar as novas formas de exploração do trabalho.

Negociação coletiva em terreno desigual

A prevalência do negociado sobre o legislado, sem sindicatos fortes, transformou a negociação coletiva em processo desequilibrado.

O trabalhador negocia sob a ameaça do desemprego; e o empregador, com amplo poder econômico e também de decidir se esse trabalhador terá ou não emprego.

Sem recomposição do equilíbrio de forças, a negociação deixa de ser instrumento de avanço social e passa a ser mecanismo de redução de direitos.

Isto é, a negociação se dá no nível de manutenção do que já existe para baixa. Ou escrito de outro modo: negocia-se os acessórios, a fim de manter o principal. Isto significa, a médio prazo, redução de direitos.

Disputa política é incontornável

Diante desse cenário, não há neutralidade possível. A reconstrução do sindicalismo passa, necessariamente, pela política institucional.

A atuação permanente no Congresso Nacional, nos ministérios e nos tribunais tornou-se condição de sobrevivência para barrar retrocessos e disputar avanços.

Essa realidade confere às eleições de 2026 caráter estratégico para os trabalhadores como classe social majoritária.

2026: eleição decisiva para os trabalhadores

Para o movimento sindical, 2026 é eleição de inflexão histórica. Está em jogo a possibilidade de eleger bancada comprometida com a agenda trabalhista, conter o avanço da extrema-direita no Congresso e criar maioria política para reverter os aspectos mais nocivos da contrarreforma de 2017.

A pauta é objetiva: fortalecer a negociação coletiva, enfrentar a precarização, proteger o trabalho decente e avançar em novas conquistas, como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários. E também da degradante escala 6×1.

Entre a reconstrução e a irrelevância

O sindicalismo brasileiro enfrenta encruzilhada. Ou se reinventa — financeira, organizativa e politicamente — ou corre o risco de ser empurrado à irrelevância em um mercado de trabalho cada vez mais disputado e desregulado.

A Reforma Trabalhista não atacou apenas direitos. Atacou a própria ideia de ação coletiva.

Reverter esse processo exige organização, mobilização e disputa de poder. Porque direitos não são concessões: são fruto de luta, resistência e ação política consciente.

(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP

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